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RESENHA: A jornada do escritor: estruturas míticas para roteiristas Novembro 30, 2008

Posted by Indira Efel Garin in Diversos assuntos, Filmes.
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VOGLEimages5cimgdet18822R, Christopher. A jornada do escritor: estruturas míticas para roteiristas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

O livro “A jornada do escritor: estruturas míticas para roteiristas”, publicado em 1998, foi escrito por Christopher Vogler. Baseado em um guia prático, feito por ele para os cineastas da Disney que passavam por fracassos de bilheteiras, a obra traz dicas para escrever uma ótima história. Inspirado pelo antropólogo Joseph Campbell, autor de “O herói de mil faces”, Vogler cria um roteiro de como criar bons personagens e narrativas.

O escritor deixa claro que o livro não é uma receita de cozinha para ser aplicada com rigor. As idéias podem e devem ser mudadas de posição, ou até mesmo desobedecidas, seguindo as particularidades de cada história. Porque para escrever boas narrativas não é necessário apresentar todas as fases da Jornada do Herói. Vogler, na obra, não impõe uma estrutura resistente e engessada. Propõe que o leitor crie caminhos diferentes para serem trilhados por seus personagens. Com essa finalidade, em cada capítulo, o autor faz uma seção de perguntas para que os conceitos sejam entendidos e aplicados com sucesso.

Dividido em três partes, o livro acaba sendo um pouco repetitivo. Porém, é uma repetição necessária para que o conceito possa ser muito bem compreendido, pois se trata de uma espécie de “manual de dicas”. A primeira divisão mostra a jornada mapeada, apresentando os seus estágios. Vogler também indica os “arquétipos”, modelos de personagens para que qualquer história transcorra com todas as etapas, e explica como o herói, o mentor e o guardião de limiar têm suas funções no caminho da narração.

A segunda parte descreve os estágios da jornada mais especificamente, exibindo minuciosamente cada uma das doze fases. Ela incluiu desde o herói no seu mundo comum, passando pelo chamado à aventura, testes, aliados, inimigos, até o retorno ao seu lugar de origem com o “elixir”. O livro remete à memória dos leitores cenas de filmes ou livros com os detalhes sugeridos em cada etapa. Na última segmentação, Vogler recapitula, na prática, cada estágio, utilizando filmes famosos como, “Titanic”, “O Rei Leão” e “Guerra nas Estrelas” para mostrar erros e acertos quanto à jornada.

O autor, a todo o momento na obra, se refere ao filme clássico “O mágico de Oz” como um exemplo. E explica que usa esta obra porque a maioria das pessoas viu e conhece. E também porque apresenta uma Jornada do Herói bem típica, com os estágios bem claros. Essas características do livro acabam por deixá-lo divertido e prazeroso, pois sempre está ligado a algo que o leitor já viu ou leu, fazendo com que entenda como fazer a narrativa.

“Jornada do Escritor” é uma obra que deixa dicas não só para a criação de histórias, mas para notar que a vida que rodeia os leitores também pode seguir essa jornada. Depois da leitura do livro parece que não são apenas os filmes que usam esse roteiro, mas a vida. Porque da mesma forma no modo de viver existem os heróis, as pessoas que ajudam os outros, assim como os mentores, os que tentam colocar obstáculos na estrada a caminho da aventura em busca do elixir de cada um, e assim por diante.

Um livro surpreendente e fascinante que, como disse o realizador de cinema Ruy Guerra, tornou-se a “bíblia do roteirista de Hollywood”. Indispensável para quem gostaria de compreender os truques e mecanismos do cinema americano, a obra é um mapa exato do território que é necessário percorrer para ser um grande escritor ou um ser humano. O autor convida os leitores a criarem o seu próprio herói e se inserirem na estrutura proposta.

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