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Invasão à UnB Dezembro 5, 2008

Posted by Indira Efel Garin in 1968.
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Há 40 anos cenas fortes tumultuam Brasília e o poder

No dia 29 de agosto de 1968, a UnB é invadida e ocorre uma série de violências com os estudantes e professores. Honestino Guimarães, líder da FEUB, é preso. E o acontecimento se torna pretexto para a decretação do AI-5

O ano de 1968 foi de mudanças tanto para o Brasil quanto para o resto do mundo. Mundialmente, ocorriam duas revoluções: a cultural, na China, e a cubana. Ambas que inspiravam um ideal de construção de uma sociedade livre e mais justa, influenciando o contexto cultural e social dos brasileiros. O Brasil vivia uma época de ditadura, de oposição ao governo Costa e Silva, com trabalhadores alienados e estudantes puxando a luta em nome do povo.

As universidades brasileiras refletiam todos os acontecimentos do país, principalmente a Universidade de Brasília (UnB), fundada em 1962 pelo antropólogo Darcy Ribeiro, antes do golpe civil-militar de 1964. Os estudantes se achavam no dever de contestar e lutar contra a ditadura. Com isso, os governantes consideravam que o perigo estava nos universitários, conhecidos como subversivos, revolucionários e  julgados como comunistas. Por esses detalhes, o poder tinha como objetivo a prisão de líderes dos movimentos estudantis, como por exemplo, alguns participantes da Federação dos Estudantes Universitários (FEUB).20080828195442793

Então, no dia 29 de agosto, a UnB foi invadida, com o pretexto de prender vários alunos que estavam envolvidos com os movimentos que iam contra o governo. Segundo o médico Lucas Veras, na época aluno do curso de medicina da UnB, em entrevista sobre o assunto, no dia da invasão os policiais entraram com toda a truculência que existia no período.

A universidade era como um lugar sagrado e os alunos não aceitavam a entrada de policiais. Alguns estudantes resistiram à invasão: 500 alunos passaram o dia sob o poder dos policiais na quadra de esportes, mas somente 50 pessoas foram levadas à delegacia.

Muitos parlamentares tinham filhos que estudavam na UnB e, durante a invasão, acabaram aderindo à causa. Os deputados de direita apenas acompanharam a confusão para retirar seus descendentes daquele cerco, enquanto os de esquerda realmente se envolveram no processo político e lutaram pelos direitos dos estudantes.

“Nós escondemos um colega nosso que sabíamos que era procurado, Samuel Babah. Esse cara sumiu. A gente escondeu ele dentro de um caixote no porão da UnB, e foi a última vez que eu o vi”, conta Lucas Veras. Babah era um dos nomes que estavam na lista da polícia para serem presos na invasão. O governo tinha o nome de mais seis alunos. Inclusive o de Honestino Guimarães que, na confusão, foi preso. Honestino era líder estudantil na época, presidente da FEUB e definido por Lucas como “um cara muito corajoso”.

Antes do tumulto, os estudantes já haviam invadido a sala e apartamento de Roman Blanco, professor que tinha ligação com o Serviço Nacional de Informação (SNI), considerado pelos alunos como um “dedo-duro”. “Essa invasão do apartamento fui eu que fiz”, confessa Lucas. Nessa ocasião, a polícia foi chamada pelo reitor, pois ele alegava não conseguir defender o patrimônio da universidade. Logo, a invasão do dia 29 de agosto de 1968 não foi a primeira, mas a pior invasão militar dentre as oito que ocorreram na fase da ditadura.

Na época da invasão do dia 29, a UnB ainda estava em construção. O “minhocão” tinha entulhos e pedras. Lucas declarou que, quando os alunos souberam da invasão, todos saíram na mesma hora e fizeram uma barricada para resistir, utilizando os restos da obra. Alguns desistiram. Ele foi um dos que tentaram resistir, mas não por muito tempo. Lucas foi preso, juntamente com um professor e mais três colegas, em uma rádio-patrulha, e liberado no fim da tarde. Não era um dos procurados.

Os estudantes queriam mudar o mundo, achavam que tudo estava errado. Mas Lucas admitiu que, se fossem colocados no poder, eles não teriam nenhum plano de governo. Eram todos muito organizados. Os universitários sabiam de todas as dicas de como fugir da polícia, de como ir para uma passeata e se defender. Era um movimento instruído para protestar, porém não tinham idéia de como governar o país. “A nossa revolução foi muito mais social. Evidentemente que a gente tinha que lutar contra a ditadura”, diz o médico.

Além de um conflito com os ideais políticos, existia um conflito interno. Havia os ideais da família, e os novos pensamentos, o que ocasionava choques entre conceitos. Nessa fase de ditadura, a maneira de viver foi modificada, o que antes era certo se tornou inadequado. Por exemplo, a questão da virgindade, que em tempos anteriores era vista com um valor muito grande para as meninas, depois dessa “revolução cultural e social” começou a cair.

A invasão na universidade não conseguiu ser justificada pelas autoridades. O governo não encontrou meios para explicar à população o porque da série de violências contra os estudantes. Nos dias 2 e 3 de setembro, posteriores à invasão, um dos parlamentares, o deputado Marcio Moreira Alves, do MDB – GB, partido contra a ditadura, que havia aderido à causa, fez um pronunciamento na tribuna da Câmara. Proferiu palavras provocadoras ao militarismo, que foram consideradas, entre outros acontecimentos, um pretexto para a decretação do AI-5, no dia 13 de dezembro de 1968.

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